terça-feira, 26 de outubro de 2010

SÍNDROME DE BURNOUT: O ESGOTAMENTO DA ALMA


“Porque nós também somos fracos Nele, mas viveremos com Ele,
para vós outros pelo poder de Deus” (2Co 13.4b)

Talvez você nunca tenha ouvido falar da Síndrome de Burnout, mas caso exerça liderança na igreja, seja como pastor (a), diácono, professor, ou é um educador (a), assistente social, enfermeiro (a), ou se sua profissão ou vocação é cuidar de pessoas, mantendo com elas um contato próximo, saiba que você é um potencial candidato de, mais cedo ou mais tarde, vir a desenvolver alguns sintomas da síndrome.
O termo “Burnout” vem de burn (queima) e out (exterior), é uma expressão idiomática para designar “aquilo que deixou de funcionar, estragou”, mostrando que a pessoa entrou em “combustão” física e emocional, resultado de um estresse ocupacional. As primeiras observações dessa síndrome vêm dos meados da década de 70 quando pesquisadores passaram a notar o desgaste, a irritação e a afetação do humor dos profissionais da área da saúde.
Todos aqueles de quem se espera direcionamento, solução de problemas, respostas e ajuda, tornam-se suscetíveis a desenvolver tal síndrome. Às vezes a pessoa atinge um grau tão devastador de cansaço físico e emocional, que a leva a uma total desmotivação (“não posso mais”) e desinteresse (“não quero mais”). É quase uma desistência dos ideais que outrora abraçou e defendeu. É o esgotamento da alma, um cansaço que nenhum fim de semana consegue resolver ou amenizar.
Alguns sintomas psicossomáticos podem surgir, tais como enxaquecas, insônia, hipertensão e gastrite. No comportamento, incapacidade de relaxar e irritabilidade. Emocionalmente há um distanciamento afetivo, dificuldade de concentração, apatia, hostilidade e sarcasmo. Passa a ter uma conduta negativa em relação aos alunos, clientes, colegas de trabalho, e na vida igreja, em relação aos irmãos e também à instituição religiosa. Embora não seja propriamente um problema de origem espiritual, é inegável que afeta o espírito e o relacionamento com Deus.
É interessante notar que inúmeros personagens bíblicos também desenvolveram reações negativas justamente a partir do adoecimento de suas relações interpessoais. Moisés quase desfaleceu ao lidar com o povo, a ponto de seu sogro intervir para salvá-lo daquela situação; Elias teve um esgotamento, Jeremias um incompreendido até por seus familiares próximos e amigos tornou-se sorumbático crônico, Paulo mortificava seu corpo para atender os reclamos de uma igreja exigente e ingrata.
Não somos melhores que eles, ao contrário, compartilhamos das mesmas fraquezas (Tg 5.17). Não somos “super-crentes”, nem estamos imunes às doenças da alma. Perceber-se doente não é vergonha ou demérito. Aliás, Paulo ensina: “se tenho de gloriar-me é somente no que diz respeito à minha fraqueza” (2Co 11.30).
O perigo é não reconhecer-se doente e ignorar os sinais que vão se manifestando ao longo do tempo. Embora, a princípio seja um problema relacionado à atividade profissional/vocacional é inegável que seus efeitos destrutivos atingirão as outras áreas da vida. Pastores não conscientes de estarem enfrentando essa exaustão que consome e esgota a alma, tentam procurar culpados por sua inadequação pessoal, e líderes cansados projetam na congregação seus “verdugos” atormentadores, que na verdade não estão fora, mas dentro deles mesmo. O resultado é cinismo, distanciamento, linguajar duro, ironia, e uma indisfarçável desesperança.
Duma certa forma, as frustrações ao longo do caminho, o não-reconhecimento, excessiva pressão externa e uma exagerada cobrança interna – perfeccionismo – aliados à incapacidade de perceber os próprios limites, podem abrir as portas para o início de uma síndrome.
Por outro lado, a humildade em perceber-se doente e um espírito flexível capaz de permitir-se mudar nas posturas inadequadas, são ingredientes básicos para não se deixar cair e ficar prostrado. E é claro, manter uma fé inabalável Naquele que por ser Senhor de tudo, pode até mesmo transformar essa fraqueza em glória. Procure ajuda, e não fique remoendo sozinho suas dores: a família agradece e o deserto encurta.

Pr. Daniel Rocha

Nenhum comentário:

Postar um comentário